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3 de out de 2012

Notícia e Reportagem

Gêneros textuais: Notícia e Reportagem

Todos os textos que integram um jornal ou revista orientam-se em torno de fatos considerados relevantes na atualidade e ao público a que se destinam. Os fatos, em si, são considerados notícias.

Como gênero textual, Notícia é o texto informativo centrado em acontecimentos. Possui título (manchete) e um parágrafo inicial, geralmente apresentado em destaque, chamado lead ou lide, no qual é comum apresentarem-se as respostas para as seguintes perguntas: O quê?; Quem?; Quando?; Onde?; Como?; Por quê?

Nos parágrafos subsequentes é comum haver um certo detalhamento a respeito das respostas para essas mesmas perguntas, de maneira impessoal e imparcial.

Nesse sentido, a notícia é um texto objetivo, de leitura breve e dotada de certa superficialidade. Embora o texto seja elaborado de forma a responder a algumas questões, não há análise mais aprofundada de causas, tampouco uma contextualização muito esclarecedora a respeito do fato noticiado.

Seu caráter dinâmico, sobretudo, deve-se à necessidade de divulgar informação com a maior brevidade de tempo possível e, não raro, a abordagem do fato expressa na manchete será feita com o intuito de atrair o leitor.

Observe os exemplos de possíveis manchetes para o mesmo fato:

a) Terremotos abalam Japão

b) Abalos sísmicos abalam Japão

c) Terremotos fazem milhares de vítimas no Japão

d) Terremotos destroem casas no Japão


Apesar de as quatro manchetes serem objetivas em relação à informação, certamente a “c” é mais impactante do que as demais, graças, principalmente, à expressão “milhares de vítimas”. A “b”, no entanto, por conta dos termos “abalos sísmicos”, perde em expressividade.

As notícias nem sempre são tão curtas quanto se costuma imaginar, pois apresentam à vezes depoimentos e fazem relações com outros fatos.

Observe:

Terremoto moveu costa do Japão, alterou equilíbrio da Terra e reduziu duração dos dias

A costa do Japão pode ter se movido cerca de quatro metros para leste após o terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o país na última sexta-feira, afirmaram especialistas.

Dados da rede japonesa Geonet - recolhidos de cerca de 1,2 mil estações de monitoramento por satélite - sugerem que houve um deslocamento em grande escala após o terremoto.
Roger Musson, da agência geológica britânica (BGS, na sigla em inglês), disse à BBC que o movimento é "compatível com o que acontece quando há um terremoto deste porte".
O terremoto provavelmente mudou também o equilíbrio do planeta, movendo a Terra em relação a seu eixo em cerca de 16,5 cm. O tremor também aumentou a velocidade da rotação da Terra, diminuindo a duração dos dias em cerca de 1,8 milionésimos de segundo.
A agência meteorológica do Japão propôs aumentar a magnitude do terremoto para 9.0. Isso faria do tremor o quinto maior da história desde que tremores começaram a ser registrados. Outras agências, no entanto, ainda não atenderam ao chamado.
Brian Baptie, também da BGS, explicou que o tremor ocorreu na Zona de Subducção, como é chamada a região onde duas placas tectônicas se unem - no caso do Japão, a Placa do Pacífico, a leste, e outra placa a oeste, que muitos geólogos acreditam ser uma continuação da Placa Norte-americana.
A Placa do Pacífico está se movendo para oeste sob o Japão. E, à medida que isso acontece, arrasta com ela a Placa Norte-americana para baixo e para oeste.
Quando o terremoto ocorreu, a placa que estava por cima deu uma guinada para cima e para leste, liberando a energia acumulada enquanto as duas placas estavam em atrito. Isso mexeu com o leito do oceano, deslocando uma enorme quantidade de água - o que levou a um tsunami.
Ken Hudnut, um geofísico da agência de geologia dos EUA, em Pasadena, na Califórnia, disse à rede MSNBC que informações que dependem de dados de GPS como mapas, navegadores por satélite usados em carros e registros de propriedade terão que ser mudados no Japão após o terremoto.
"A rede nacional (japonesa) que define limites de propriedades foi mudada", disse ele. "Cartas náuticas terão que ser revisadas por conta da mudança da profundidade da água", afirmou.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/03/110314_terremoto_impacto_ji.shtml

Quanto à estrutura do texto, é possível notar:

- Manchete: Terremoto moveu costa do Japão, alterou equilíbrio da Terra e reduziu duração dos dias

- Lide (destaque não obrigatório):

A costa do Japão pode ter se movido cerca de quatro metros para leste após o terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o país na última sexta-feira, afirmaram especialistas.

O quê? A costa do Japão pode ter se movido... (Observe que o verbo “pode”, relativiza a certeza expressa na Manchete)

Quando? Na última sexta-feira.

Por quê? Terremoto de magnitude 8,9.

Fonte da informação? Especialistas. (Devido à surpresa que provoca esse tipo de informação, optou-se por colocar no lide um elemento persuasivo de autoridade: especialistas)

- Restante do texto: detalhamento das informações, no entanto sem demonstrar certeza quanto a algumas delas, e apresentação de outros fatos e depoimentos que corroborariam a possibilidade do que é afirmado na manchete e no lide. Vale observar que alguns dados amenizam o impacto da manchete (O terremoto provavelmente mudou também o equilíbrio do planeta, movendo a Terra em relação a seu eixo em cerca de 16,5 cm. O tremor também aumentou a velocidade da rotação da Terra, diminuindo a duração dos dias em cerca de 1,8 milionésimos de segundo).


Levando-se em conta que a Notícia é um gênero textual motivado pela existência de fatos recentes do qual se espera certo ineditismo, dificilmente será exigido que um vestibulando redija um texto desse gênero. É importante, no entanto, reconhecê-lo e ser capaz de identificar suas peculiaridades. O mesmo pode se afirmar acerca da Reportagem. Nada impede, contudo, que haja uma proposta de redação em que o candidato seja convidado a criar uma notícia fictícia a partir de alguma informação ou manchete fornecida no exame.

OUTRO GÊNERO TEXTUAL JORNALÍSTICO: REPORTAGEM

Trabalhando a notícia de modo mais aprofundado, o gênero Reportagem, frequentemente motivado por fatos relevantes, apresenta informações de forma preferencialmente imparcial, com o intuito de auxiliar o leitor a criar um repertório mais aprofundado a respeito de determinado assunto. A reportagem geralmente é chamada de matéria, recebendo destaque nas capas de revista e primeiras páginas dos jornais.

Não raro uma notícia dá ensejo ao surgimento de várias reportagens, uma vez que a ocorrência de um fato permite abordagens sob diferentes perspectivas.

Ao escrever uma reportagem, o jornalista é obrigado a consultar diversas fontes confiáveis de informação, realizando pesquisas, colhendo depoimentos e procurando não deixar transparecer a própria opinião sobre o tema tratado. Há casos, entretanto, em que podem ser percebidas as opiniões dos repórteres, principalmente em jornais e revistas conhecidos por seu engajamento político ou ativismo.

O repórter, ao abordar assuntos polêmicos, costuma apresentar os prós e contras dos diferentes pontos de vista pesquisados, respeitando a possível opinião do leitor, bem como seu direito de se posicionar criticamente a respeito do tema, a partir das informações fornecidas pelo texto.

Com um conteúdo mais elaborado, a reportagem, naturalmente, como texto, excede em extensão a notícia.

As reportagens mais extensas costumam ocupar várias páginas, sendo assinadas algumas vezes por mais de um jornalista.

Observe o exemplo da relação entre notícia e reportagem:

Notícia (fato):

Manifestações no Egito contra ditador

Temas para Reportagens:

- Como esse ditador chegou ao poder?

- Como era a vida no Egito durante a ditadura?
- Qual foi o impacto dessas manifestações no mundo?
- O que é uma ditadura?
- Quais são os desafios para um processo de transição entre tipos de governo?
- Qual foi o processo que deu origem às manifestações no Egito?
- Quais e quem são os líderes das manifestações no Egito?


Americano dá voz no Twitter a revolucionários da Líbia e do Egito

- Manuela Andreoni

RIO - Nos bastidores da crise na Líbia, o estudante americano John Scott-Railton, de 27 anos, é uma personalidade. Doutorando da faculdade de Public Affairs na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, ele atende ligações de jornalistas o dia inteiro. Desde 27 de janeiro, teve apenas duas tardes de descanso, tantos são os seus compromissos. O seu trabalho? Dar voz aos revolucionários do Oriente Médio. É ele o homem que, por trás do projeto Voices, dono dos perfis @Feb17voices, com 5.822 seguidores, e @Jan25voices, com 8.883 - relativos às revoluções da Líbia e do Egito, respectivamente - mais tem contatos na Líbia.

Quando o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak cortou a internet da população como forma de conter a revolução que ameaçava lhe tirar o poder , Railton, que já se acostumara a acompanhar de perto os acontecimentos pelo Twitter, não gostou do silêncio. De repente, aquilo que estava ao alcance do teclado passou a estar a milhares de quilômetros de distância. Amigo de muitos egípcios, por ter morado no país por alguns meses, ele decidiu que podia fazer alguma coisa. Pegou o telefone, ligou para seus amigos e tuitou as informações que recebeu. Foi então que nasceu o projeto Voices.

“ Eu senti que silenciar as vozes das pessoas é desumano e um tipo de violação de seus direitos humanos. Minha decisão foi tentar devolver ao Twitter a função de oferecer informação ao mundo sobre os acontecimentos no Egito” - conta o estudante ao GLOBO.

Com uma conta de telefone que muitas vezes chega a quatro dígitos, John banca tudo de seu bolso e faz malabarismo entre quatro operadoras para tentar economizar o máximo possível. O projeto, junto com seu doutorado, toma "200% do dia". Atualmente a infraestrutura com que conta são: um laptop emprestado do irmão - o seu quebrou - e a internet do vizinho. Muito simpático, ele conta que não tem tempo para a vida social e que também já morou no Brasil, quando era criança. O único português que lhe restou, entretanto, foi "sorvete de morango"

Falar com estrangeiros é perigoso na Líbia

Começar o projeto na Líbia veio naturalmente. Assim que Mubarak caiu, Railton percebeu que os conflitos na Líbia o chamavam para um novo desafio. Sem abandonar seu projeto no Egito, ele começou a procurar líbios que viviam nos Estados Unidos e podiam lhe ajudar em um novo front na Líbia, tanto para dar os contatos, quanto para fazer as dezenas de ligações realizadas pelo Feb17voices por dia. Railton fala apenas um árabe rudimentar. Hoje o Feb17voices é publicado por uma "equipe" de duas pessoas: ele e a líbia-americana Sarah Abdurrahman. Contudo, os dois têm o apoio de vários líbios, tanto na Líbia quanto nos Estados Unidos.

“Trabalhar no contexto líbio é difícil porque partes do país são agora uma zona de conflito e a paranóia que as pessoas têm, especialmente no oeste, perto de Trípoli, é maior.”

Por mais que as pessoas com quem trabalha nos EUA tenham parentes e amigos na Líbia, o ativista diz que normalmente não recorre a eles, porque isso "os colocaria em perigo especial, já que eles poderiam ser rastreados pelo governo". Mas Railton garante que já falou com pessoas confiáveis em todas as cidades mais importantes do país norte-africano.
(...)
Com voz embargada, Railton conta que dois de seus informantes já foram mortos. Em ambos os casos, ele acredita, as mortes não tiveram relação com o projeto. Um dos rapazes teria sido alvejado em zona de conflito e não há certeza se está morto, ou se apenas foi levado pelas forças do ditador Muamar Kadafi após ser ferido. No segundo caso, só se sabe sobre sua morte.

Como consolo, Railton informa que ambas as fatalidades foram amplamente noticiadas pela mídia, já que os dois rapazes eram fontes de grandes meios de comunicação, como a CNN, que recorrem ao Voices por contatos todos os dias.

“Não falei com nenhum líbio que não esteja agradecido pela intervenção”

Com a prerrogativa de, muito provavelmente, ser o americano que mais conversa com líbios hoje, Railton conta que, desde que as forças de coalizão começaram o ataque aéreo, no dia 19 de março, os líbios ficaram mais felizes. Ele afirma que não conversou com nenhum líbio que não esteja extremamente agradecido e feliz com a intervenção estrangeira.
(...)
Segundo ele, o único lugar em que isso não ocorre é a capital, Trípoli, já que lá, diz, as pessoas sabem que seus telefones podem estar grampeados e o governo vigiando.
(...)
Em meio a tanto trabalho, Railton não sabe exatamente como o projeto impactou sua vida e nem se vai continuá-lo com outros países, como Iêmen, Síria e Bahrein. Só sabe que um dia quer voltar ao Egito e ir à Líbia conhecer as pessoas com quem fala todos os dias.

“É uma conexão muito emocionante. Com certeza mudou minha vida. Eu diria que me fez valorizar muito mais as preocupações que indivíduos têm por outras pessoas em lugares distantes e o poder que as mídias sociais têm em ajudar a criar uma ponte entre duas populações que querem muito saber o que os outros pensam e sentem.”



No texto acima, é possível perceber os elementos básicos do gênero Notícia, enriquecidos com informações mais aprofundadas sobre o protagonista do fato, o estudante John Scott-Railton, e suas ideias. A relevância dessa reportagem justifica-se, principalmente, por outras notícias de grande impacto: as manifestações no Egito contra o ditador Hosni Mubarak e na Líbia também contra um governo ditatorial.

Especificamente nessa reportagem, a jornalista trabalha, sobretudo, com os resultados de uma entrevista feita com o estudante.

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