Postagem em destaque

PROPOSTAS E MODELOS PARA ENEM

TODAS AS PROPOSTAS E MODELOS RELACIONADOS NESTA POSTAGEM SÃO DO AUTOR DO BLOG E NÃO PODEM SER COMERCIALIZADOS EM MATERIAL DIDÁTICO VIRTUAL ...

26 de jan de 2018

GÊNERO TEXTUAL: RESENHA

Gênero textual: Resenha  


                        O texto a seguir pertence ao gênero resenha. Como tal, possui função específica que determinará seu conteúdo, a forma de exposição de ideias, linguagem e abordagem do tema. Leia-o e procure identificar essas características.


Um gramático contra a gramática

Gilberto Scarton

“Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino”[1] (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft[2] traz um conjunto de ideias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.
Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático aborda, intencionalmente, de maneira enfática [4] o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática linguística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum às "aulas de português"[3].
O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e linguística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos linguistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.
Essa fundamentação linguística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional[4]. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processo espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.
Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula[5].

                                                                                              (Adaptado de: http://www.pucrs.br/gpt/resenha.php)

                        Observe a legenda:

[1] Citação bibliográfica.
2 Citação do autor.
3 Apresentação do conteúdo da obra analisada.
4 Emissão de opinião do resenhista – observe o advérbio “facilmente” e o verbo “se convence”.
5 Opinião conclusiva do autor.


Os trechos destacados ao longo da resenha possuem equivalentes em todo o texto, por meio de uma leitura atenta, procure encontrar:

- Outra citação bibliográfica do mesmo livro;
- Outra citação do autor;
- Mais referências sobre o conteúdo da obra;
- Mais referências sobre o autor;
- Mais trechos em que estejam evidentes os pontos de vista do resenhista (adjetivos valorativos, advérbios ou verbos por meio dos quais sejam percebidos valores do próprio resenhista).

Analisando-se a resenha, portanto, percebe-se que as diferentes informações quanto ao conteúdo da obra e quanto à avaliação do resenhista estão unidas de forma coesa, como a formar uma só trama. Não se encontram parágrafos destinados somente ao conteúdo ou apenas à crítica. Essa unidade é bastante importante em qualquer texto desse tipo.

Leia essa outra resenha e atente para a linguagem empregada:

DVD

UMA VERDADE INCONVENIENTE (An Inconvenient Truth, Estados Unidos. 2006. Paramount) - Al Gore passou décadas de sua carreira fazendo papel de chato ao falar insistentemente sobre um problema que parecia distante, o aquecimento global. Ficou com fama de bobão e, como se sabe, perdeu a eleição para George W. Bush de forma nebulosa. Enquanto a popularidade do atual presidente despenca, entretanto, a dele anda nas alturas - até em Prêmio Nobel já se fala. Tudo graças a esse bem urdido documentário sobre o tema mais caro ao ex-presidente vice-presidente-presidente: as mudanças climáticas. Envolvente, ritmado e didático sem ser condescendente, o filme chega ao DVD com dados atualizados em relação à versão vista no cinema e é um programa quase que obrigatório para quem deseja entender por que o clima anda tão louco e o que se pode fazer, no dia, para não agravar o problema.

(Revista Veja, São Paulo, 07 fev. 2007.)


CONCEITUANDO
                       
                        A resenha não se trata de um texto muito longo; dotada de título original, tem como objetivo chamar a atenção do leitor de modo a apresentar-lhe apreciações críticas e de conteúdo a respeito de uma obra científica, filosófica ou literária (resenha crítica), podendo também abarcar coletânea de textos de variados tipos (resenha temática), analisados como um todo ou individualmente. Considerando-se o universo da escrita apenas, as resenhas, portanto, são textos em 3a pessoa que se apoiam em outros textos, assim como os resumos, e que, no entanto, diferente destes, além de apresentarem de modo sucinto determinado conteúdo, ocupam-se deste último com uma abordagem na qual a opinião do resenhista recebe atenção especial. Neste aspecto, aquele que a escreve, além de apresentar os próprios pontos de vista, é capaz de influenciar a opinião alheia  quanto à determinada obra, filme etc.
                        No cotidiano, esse gênero textual costuma aparecer em jornais, revistas, sites especializados e blogs, podendo assumir até uma linguagem mais descontraída. No meio acadêmico, no entanto, privilegia-se a formalidade na abordagem do conteúdo e na construção de argumentos.
                        Embora alguns autores nomeiem algumas categorias de resenhas, em sua essência e estrutura todas apresentam os mesmos elementos:

                        - título;
                        - citação bibliográfica;
                        - citação do autor (sua biografia - opcional);
                        - apresentação sucinta do conteúdo do objeto tratado;
                        - análise e crítica do resenhista, expressando juízo de valor.

                        É importante observar que a crítica do resenhista não deve ter por base simplesmente o campo de suas impressões, pelo contrário, suas opiniões precisam ser sustentadas por argumentos que persuadam o leitor de que a tese defendida na resenha é digna de crédito, ou seja, toda resenha possui um caráter dissertativo.
                        Na crítica, costuma-se expor um ponto de vista favorável ou desfavorável ao objeto tratado, contudo não se descarta a possibilidade de relativização entre prós e contras de determinado texto ou obra.
                       
                        Sugestão de trechos:

- Com adjetivos valorativos:

a) A obra é – reveladora; importante; essencial; problemática; polêmica; descompromissada; recomendável.
b)  O autor é – enfático; modesto; contundente; desafiador; radical.
c) O estilo do autor é / a abordagem do autor é – discutível; exemplar; confuso(a); irreverente.
d)  O tema é – relevante; muito atual; pertinente; desconcertante.

- Com advérbios ou locuções adverbiais:

a) O autor escreve - com desenvoltura; ritmadamente; didaticamente; tediosamente; com originalidade.
b) É necessário ler – atentamente; analiticamente; com espírito crítico.
c) No texto, aborda-se o assunto – com audácia; com cautela; com sensibilidade.
d) O tema é tratado – de forma irreverente; de maneira convencional; de maneira preconceituosa.


                        Sugestões:

- Antes de produzir uma resenha, procure elencar de forma objetiva as informações mais relevantes do texto (O quê, Quem, Quando, Como, Onde e Por quê).

- Procure pensar em elementos do texto como: tema, intencionalidade, linguagem, aspecto biográfico do autor.

- Para as informações elencadas, procure atribuir valores positivos ou negativos sobre os quais se possa argumentar de maneira convincente.









16 de dez de 2017

DISCURSO DE PARANINFO - PGD- 2017

Discurso em ocasião da formatura do 3o Ano dos alunos do colégio PGD, de 2017.

Caros pais e mães, alunas e alunos, mantenedores, diretores, coordenadores e colegas professores do nosso querido colégio PGD,
Antes de escrever este texto, perguntei àqueles que hoje se transformam em meus ex-alunos sobre o que eles desejariam que eu falasse nesta noite. Surgiram então três temas: Realidade, Felicidade e Esperança.
Primeiro resolvi abordar a realidade, essa que é sempre fonte de polêmicas, pois, em torno de fatos, é comum que criemos fantasias e hipóteses para explicá-los. A realidade, essa irmã da verdade, é sempre algo complexo, porque os sentidos humanos não são completos e a análise humana é imperfeita. Assim, qualquer abordagem que eu faça da realidade é, antes, como diria o teólogo Leonardo Boff, a visão de um mero ponto. Por outro lado, creio que hoje temos necessidade de algo mais concreto, então escolhi refletir sobre o que defende um ditado oriental: “a verdade está nos fatos”.
Resolvi, então, sendo mais pragmático, apresentar a vocês fatos; fatos que para mim consistiram em realidade, felicidade e esperança.
Vamos a eles então:
Neste ano fiquei muito surpreso com o convite para falar-lhes pela última vez como seu professor. Mais especificamente, fiquei surpreso, feliz e confuso. Explico.
Surpreso, porque neste ano nenhum aluno ouviu de minha boca frase destinada a incentivá-los a passar no vestibular nem a estudar como atletas para ter um alto desempenho nas provas. Tampouco os incentivei a tirar boas notas ou a desenvolver um plano de estudos, ou a serem bons filhos, bons alunos, bons cidadãos ou o que seja. Se os incentivei em algum sentido, foi para respeitar os que são e pensam de modo diferente de vocês, foi para não se tornarem cúmplices nem de seus amigos, caso eles ajam em prejuízo de outra pessoa, ainda que vocês não a conheçam nem gostem dela. Disse que, para agir com convicção, é preciso coragem, e que, sempre que respeitamos nossos princípios, de uma forma ou outra, pagamos um preço.
Com franca humildade, sei que muitos de meus colegas se dedicaram com muito mais afinco em favor de vocês, para que obtivessem e obtenham sucesso nos tão temidos vestibulares. Portanto, minha consciência me acusa que esse não foi o meu caso, eis todo o motivo de minha surpresa.
Contudo, nesse momento, ao refletir sobre este texto, acredito que o desejo de vocês é, no fundo, mais do que ouvir palavras, mas ouvir algo semelhante ao que ouviram de mim ao longo desses anos, algo que envolva experiências que vão para além dos muros e do universo escolar e acadêmico. Acho que é isso, não é?
Bom, se já disse por que fiquei surpreso, agora saibam por que fiquei feliz. Fiquei feliz porque ter sido uma escolha de vocês implica que essa foi uma decisão carregada de afeto, que chegou com um significado que transcende a racionalidade. Assim, se o coração é um cálice, saibam que o meu agora transborda. Tenho de dizer-lhes, portanto, muito obrigado pelo carinho e confiança, não conheço maior tesouro na vida. Tenho cada um de vocês em meu coração, saibam disso.
Opa, será que isso tem a ver com felicidade?
E como falar sobre ela, como teoria ou como realidade?
Prefiro a segunda forma, portanto nada de Aristóteles, Rousseau ou outro digno filósofo. Vou tratar somente sobre o modo como a felicidade se apresentou para mim, e só posso esperar que isso faça sentido para vocês. Prometo quase nada de teoria.
Quando me propuseram o tema, resolvi investigar três momentos em que experimentei legítima felicidade. E foi uma verdadeira surpresa.
Uma memória marcante foi uma vez que minha mãe disse que eu deveria ajudá-la a limpar o carpete do apartamento onde morávamos. Eu tinha nove anos. Ela encheu um balde com água e sabão, deu-me um escovão, molhou um escovão que estava com ela e começou a passar com força no chão. Estávamos de joelhos e juntos, ela cobrindo uma área muito maior do carpete do que a minha. Durante uma tarde inteira de sábado, ficamos absortos por aquela atividade inglória. Meus joelhos ficaram doídos, minhas mãos coçavam por causa do sabão e meu corpo ficou um tanto dolorido, mas sei que tudo foi superado por uma sensação que chamo hoje de felicidade, e que senti ao longo de todo aquele processo.
Outra memória, bem mais recente, foi quando, no ano passado, fiquei internado durante duas semanas no hospital. Minha esposa assumiu responsabilidades que eram minhas. Ela, além de não reclamar de estar sobrecarregada por eu não poder cumprir com a minha parte, foi gentil, amável e carinhosa. Em determinado momento, durante minha internação, embora meu corpo estivesse muito comprometido, me senti feliz. Não ser obrigado a fazer o que não se está em condições de fazer é sempre um alívio maravilhoso. Não ser confrontado por alguém que o ajuda de modo a ficar claro que você está recebendo um favor que você já sabe estar recebendo, é duplamente mais reconfortante.
Por fim, a última referência de felicidade deu-se alguns dias atrás. Minha cachorrinha Gigi, com treze anos, rompeu o ligamento do joelho. Ela está mancando com dor há algumas semanas. Disseram-me que ela talvez não suportaria uma cirurgia, e entendi que talvez fosse o momento de me despedir dela. A partir de então, comecei a abraçá-la mais, a beijá-la e a me despedir dela aos poucos e todos os dias. E o que há de feliz nisso? – você pode estar se perguntando.
Acrescento, ainda, à pergunta: o que pode haver de feliz nos meus três exemplos, nos três fatos reais?
Então vou tentar explicar.
No primeiro, minha mãe me fez experimentar três importantes lições da felicidade, o que um psicólogo chamado Bert Hellinger chamou de:  pertencimento, hierarquia e equilíbrio.
Quando ela me convocou àquele trabalho, eu senti que pertencia à vida dela, à casa e à família. Em verdade, nós precisamos sentir que pertencemos a alguém, a um grupo, a um núcleo onde somos respeitados, amados e no qual temos uma função. Se os nossos pais não fazem isso, a vida fica extremamente difícil logo de começo. Se não encontramos esse sentimento depois, como ser feliz?
Quando ela usou a autoridade dela para que eu a ajudasse, ela me ensinou que eu tinha um papel e ela outro, que ela assumia o papel dela de mãe para que eu assumisse o meu papel de filho. Ao fazer uso dessa hierarquia, ela fez que eu me sentisse seguro e capaz, e que não se exigia de mim mais do que eu poderia dar. Se não nos sentimos seguros e capazes, ser feliz é praticamente impossível.
Quando ela mostrou que seu espaço de trabalho era maior do que o meu, ela demonstrou que respeitava o limite de minhas forças e entendia que o limite dela excedia o meu, demonstrou também que eu não estava sendo explorado pela vontade dela, mas que era um companheiro útil naquele trabalho árduo. Desse modo, aprendi intuitivamente que equilíbrio e companheirismo nas relações produzem bem-estar, respeito, altruísmo e amorosidade. Sem sentirmos que somos tratados com justiça, respeito e amor, a felicidade é praticamente impossível.
O segundo momento que citei, quando minha esposa assumiu sem reclamar tarefas que não eram dela e acrescentou a isso abnegado carinho e atenção, aprendi outra lição da felicidade, ser humilde é colocar-se na condição de aceitar que outro nos dê seu melhor. Receber carinho, atenção e entender que em muitos momentos precisamos ser acolhidos e verdadeiramente notados em nossas mais profundas necessidades é algo que pode nos fazer felizes. A gratidão também entra nessa fórmula.
Então, a última e mais recente lição que aprendi da felicidade é não negar a dor, me permitir sentir, ainda que as lágrimas escorram. Gigi, a minha cachorrinha, me fez entender isso. Ela em breve vai para o paraíso dos cães – e ele é lindo, já contei para ela. Antes que isso ocorra, não deixarei de acarinhá-la, beijá-la e abraçá-la, nem a evitarei como forma de fugir às minhas próprias emoções dolorosas. Isso porque sei que onde está esse tipo de dor é porque não falta amor.
Esta até agora foi minha última lição da felicidade: sem amor é impossível ser feliz.
Depois disso, notei que a lição sobre o amor estava em todos os outros momentos, mas foi a dor que me fez vê-lo de mais perto, ele, o amor, está completamente abraçado à felicidade.
Pertencimento, hierarquia, equilíbrio, segurança, respeito, altruísmo, amorosidade, justiça, companheirismo, acolhimento, humildade, gratidão e amor – por enquanto foram essas as palavras que consegui relacionar diretamente à minha noção muito particular de felicidade.
Gostaria que observassem que não citei nessa fórmula outros três elementos tão em moda. Não citei nem status, nem saúde nem dinheiro. Não o fiz por um único motivo, em minha experiência, não vi de que modo eles, por si mesmos, promovessem um sentimento profundo de bem-estar e plenitude.
Para encerrar, não posso deixar de falar da Esperança.
Sabemos todos que estamos em um momento de crises significativas no campo da política, da economia, dos valores, das certezas, uma crise sem prazo para acabar, que parece fechar nossos horizontes futuros. Como falar de esperança então?
Um dito popular garante: “O amanhã a Deus pertence”. Um versículo, talvez menos conhecido, registra uma frase de Jesus: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.”
Creio que ambos têm razão.
Aprendi a acreditar que solucionar os problemas externos a nós não são garantia de muita coisa. Ter dinheiro, status e saúde também não. Obviamente são coisas boas, mas não resolvem nossas questões mais íntimas. Portanto, a esperança tem de se firmar sobre algo além.
Se posso então dizer algo sobre ela, penso que não falta esperança quando recebemos e também proporcionamos aos outros, na medida de nossas possibilidades, pelo menos alguns daqueles elementos que há pouco associei ao estado de realização e plenitude profundas. Quando sentimos que pertencemos e proporcionamos a outros esse sentimento, geramos esperança. O mesmo acontece em relação a quando somos tratados com justiça e tratamos os outros justamente, quando somos altruístas e são altruístas conosco, quando não negamos nossa fragilidade e temos compaixão com a fragilidade alheia, e quando reconhecemos a importância da dor e do amor.
Recebam, portanto, cada um o meu abraço e o desejo de que nenhum desses elementos faltem às suas vidas.
E antes que eu me esqueça, embora alguns entre vocês tenham dúvidas, ouçam esta perfeita verdade: cada um de vocês é lindo e linda a seu modo, é profundamente capaz a seu modo e merece ser reconhecido, respeitado e amado. Ser livre é não ter medo. O medo nos apequena. O medo de não agradar, o medo de não ser bom ou boa o suficiente, o medo de não ser bonita ou bonito o suficiente, o medo de não ser magro, magra ou forte o suficiente, ou de não ser adequada ou adequado, ou inteligente o suficiente nos afasta de nosso potencial mais profundo e verdadeiro. Não tenham medo.
Por outro lado, gostaria de deixar-lhes também esta reflexão: ser humilde é nunca se colocar em situação superior ou inferior à sua real condição. Não se coloquem jamais abaixo do verdadeiro valor de vocês nem deixem que ninguém o faça. Jamais se coloquem acima dos outros. Eis duas atitudes difíceis de evitar, eu sei. Mas vale tentar.
Enquanto estava em sala de aula, no alto de um tablado, estava também à frente de uma constelação. Só posso desejar que nada ofusque o brilho de vocês. Lembrem-se de que é nos dias de céu mais escuro que as estrelas brilham mais plenas. Vocês são capazes de feitos que vocês ainda nem imaginam, nunca duvidem disso!
Fiquem com meu carinho e respeito.
Uma ótima noite de celebração a todos!



8 de dez de 2017

DISCURSO DE PATRONO - ATENEU - 2017


Discurso de patrono em ocasião da formatura dos 3ºs anos do Colégio Ateneu 

Caros pais, alunos, mantenedor, diretora, supervisor, coordenadora e colegas professores do nosso querido colégio Ateneu.

Inicialmente, gostaria de agradecer a honra de estar aqui hoje desempenhando um papel tão simbólico, diante de uma turma cujo progresso acompanhei ao longo de três anos. Três anos que não foram fáceis, mas demonstraram que é possível construir um caminho de confiança e respeito quando existe vontade.
Não exatamente aquela vontade que vocês tinham de fazer redação.
Tá, cansa, eu sei...
Mas o dia de vocês chegou, e parece que hoje, finalmente, mudaram-se os papéis. Quem teve de fazer a dissertação fui eu.
Mas, enfim, eu deveria falar sobre o que a vocês?
Uma colega de vocês disse que um bom tema seria o futuro.
Por isso, eu resolvi fazer assim: um texto dissertativo ensaístico sem proposta de intervenção ao final, cheio de perguntas. A nota no Enem seria baixa. Bom, felizmente o mundo é muito maior e melhor do que o Enem.
Essa dissertação começa assim:
Você me pergunta sobre o futuro?
Quem não deseja ou já desejou saber sobre o futuro?
A felicidade está lá? Lá está o amor sonhado? Lá está o emprego ou atividade profissional perfeita? Lá está a compreensão que ainda não recebemos? Os bens materiais que desejamos conquistar? As pessoas que nos respeitarão? A autonomia que desejamos? A família que gostaríamos de formar?
Ou, para quem leu “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector, será que lá está a Mercedes que atropelou Macabea depois de ela sair esperançosa da consulta de uma cartomante que lhe disse que ela encontraria um grande amor?
Seria como essa a hora da estrela reservada para nós, ou seja, um futuro de desilusão e dor?
O futuro irá nos trair?
Acredito que ao mesmo tempo pode ser uma coisa e outra coisa.
Existe um adágio cigano que diz que se você quer conhecer o futuro, você deve conhecer o passado. Acredito que os professores de História concordam com os ciganos. O passado nos ensina muitas coisas sobre o futuro. Por exemplo, todos nós teremos momentos de alegria, de aflição, adoeceremos e veremos pessoas que amamos passarem pelas mesmas situações que nós. Procuraremos nos afirmar por nossa competência, desfrutaremos momentos de bem-estar, teremos certezas, mudaremos de ideia, seremos confrontados em nossas verdades, nos iludiremos e seremos desiludidos, nos sentiremos injustiçados em algum grau, nos sentiremos vingados também em algum grau, passaremos por perdas dolorosas, perceberemos que não temos tanto controle sobre nossas vidas quanto gostaríamos de crer, precisaremos de ajuda, poderemos oferecer ajuda, e depois de infinitas experiências, chegaremos ao fim de nossa existência. Daqui 100 anos seremos histórias esquecidas ou contadas em fragmentos. Possivelmente seremos informações perdidas em um mar digital caótico de fotografias, muitas selfies com certeza, vídeos e áudios. O futuro a longo prazo é o fim de tudo que conhecemos e de como conhecemos. Não é necessário ter o dom da profecia para dizer-lhes isso.
Se o futuro pode então ser resumido dessa forma, penso que a grande pergunta não deveria ser sobre o futuro em si, pois quem acorda o futuro faz adormecer o presente, isto é, quem põe toda sua atenção nos desejos futuros deixa de viver o presente e sofre com uma terrível ansiedade. Por isso, a grande questão é como manter o estado de vigília, como estarmos despertos no presente, para que ele valha de fato a pena. Porque um dia o futuro será o presente, e ele então valerá a pena também. Assim não teremos deixado de viver nenhum dos momentos de nossa vida em função de outros.
É com base nisso, portanto, que penso que, na verdade, a grande pergunta seja: como viver o presente?
Alguns gostam da expressão Carpe Diem, como um sentido de viver intensamente o presente. Mas talvez esse conceito ainda seja vago. Muitos interpretam essa ideia de intensidade como algo equivalente a deixar que todas as nossas energias sejam consumidas pelos prazeres mais imediatos, pela euforia e pelas paixões intensas. Contudo, a ideia original é razoavelmente diferente. Ela tem a ver com colocar cada coisa em seu devido tempo e lugar, dedicando a cada coisa unicamente o que lhe compete. Hora de amar, amar. Hora de se comover e chorar, se comover e chorar, hora de trabalhar, trabalhar, hora de alegrar-se, alegrar-se, hora de sonhar, sonhar. Assim, a grande questão da vida seria não subverter o que é apropriado a cada momento nem fugir ao que cada momento propõe.
Nesse sentido, acredito ser importante acrescentar algumas ideias: se a bebida serve para descontrair e confraternizar, ela talvez esteja no lugar dela, entretanto, se ela é utilizada para que alguém consiga dormir, conversar, namorar ou esquecer problemas, é bom lembrar que bebida não é remédio nem psicólogo. A comida serve para alimentar. Se ela é usada como forma de preencher vazios que vão além das questões fisiológicas, é bom lembrar que comida não é um confidente apropriado. Se um amigo ou colega é usado para que alguém se sinta superior a outra pessoa, é bom lembrar que nossos complexos de superioridade e inferioridade merecem ser tratados de outra forma, assim como nossos amigos. Se os nossos pais são tratados como carteiras abertas destinadas a nos servirem com todo seu dinheiro, é bom lembrar que o único dinheiro realmente nosso é aquele que resulta de nosso trabalho. E só para lembrar, se um dia vocês tiverem um marido ou esposa e filhos e se esquecerem de se fazer presentes e dedicar-lhes sua atenção e carinho verdadeiros, companheiros e filhos não existem para ser responsabilizados pelas nossas frustrações, mas para receberem nosso carinho, compreensão, respeito, atenção, afeto e amor.
E o que isso tem a ver com futuro?
Creio que quem cuida bem do presente, semeia o melhor futuro. O futuro é o agora, e o que você faz agora encontra você logo ali adiante.
Saibam, portanto, que, no futuro, quando, por acaso, nos encontrarmos, em nome do que fomos semeando nos muitos presentes do passado, você com certeza terá meu abraço e meu desejo de que tudo esteja bem com você, que suas escolhas tenham sido acertadas e que não lhe faltem sempre o bom ânimo e a esperança para seguir adiante, nem a lucidez para avaliar seu presente.

Queridos alunos e alunas do terceiro, tamo junto!!

7 de dez de 2017

DISCURSO DE FORMATURA PGD - 2015


Discurso em ocasião da formatura do 3o Ano dos alunos do colégio PGD, de 2015

Caros pais, alunos, mantenedores, diretores, coordenadores e colegas professores do nosso querido colégio PGD,
Hoje é um dia especial, o dia de uma festa de partida. O dia de um adeus, que representa despedidas de muitos tipos . É um pouco triste, eu sei. E quem conviveu com esses alunos sabe também. 
É importante que saibam, meus queridos, que nem toda partida é triste, e eu não diria o contrário se não sentisse uma certa dor no coração por ter de dizer isso a vocês. 
É claro que este momento também representa conquistas. É indiscutivelmente o seu momento "shine bright like a diamond in the sky", não houve moleza, e vocês não se sentaram no pudim. Vocês merecem e devem alegrar-se. Os méritos verdadeiros não precisam de certificados. Mas fiquem tranquilos, o colégio já providenciou a documentação de vocês.
Coloquemos a situação toda dentro da seguinte alegoria. Chegamos até aqui, viemos todos: vocês, nós - professores, coordenadores, funcionários. Estamos aqui, à margem de um caudaloso rio. O percurso foi relativamente árduo; para nós, foram alguns anos; para vocês, praticamente uma vida inteira. Não há mais volta. Vocês o atravessarão, nós ficaremos. Cada um de vocês o atravessará ao seu próprio modo e, depois de atravessá-lo, se distanciará cada vez mais de suas margens seguindo um caminho muito particular; não existem receitas nem certezas: é um caminho desconhecido, ninguém o trilhou antes de você, nem poderá trilhá-lo por você. É da lei. Haverá ainda outros rios, outras travessias: o rio do estudo, da profissão, da casa dos pais, o rio do amor. Além desses, há também que se atravessar os rios interiores - tão ou mais profundos do que todos os outros rios. 
E se a vida são e serão tantas travessias, nós aqui desta margem podemos adiantar, quase em tom profético, que alguns visitantes farão parte de seu futuro. A frustração é um deles - ela nos visita em vários momentos da vida. A dor também, ela será fiel em sua missão. Ambas são inevitáveis e, certas vezes, cruéis e imprevisíveis. Fora elas - acalmem-se -, há boas notícias. Novas amizades visitarão vocês, mas deixá-las entrar será uma escolha: escolham bem. O amor também os visitará - se já não o fez -, amem com sinceridade e sabedoria. Os dilemas morais os visitarão: a escolha mais fácil nem sempre indica o melhor caminho. O tempo os visitará: quando ele chegar, tenham boas justificativas para dizer o que fizeram com ele. A crítica alheia será uma companheira: entre cascalhos, às vezes encontramos ouro, mas não vale a pena colecionar cascalhos. 
Lembrem-se de que sabedoria e inteligência têm mais a ver com aceitar e conviver com dúvidas do que se agarrar cegamente a certezas.
Saibam que seus pais e responsáveis os amam profundamente, mas as escolhas mais significativas que afetarão as vidas de vocês serão aquelas nascidas da livre consciência e da livre vontade. Não se vendam ao comodismo, sejam corajosos diante da vida. Lembrem-se da pedra alquímica, a pedra filosofal - e não me refiro a Harry Potter.
Lembram-se dela?

Eis a pedra de humilde aparência
No que concerne ao valor, nada vale
Por isso a odeiam os tolos
E mais a amam os que sabem

Não era um poema sobre pedra, era uma lição sobre cada um de nós. Toda pedra é uma estrela.

Mas falemos um pouco sobre pedras que são somente pedras. 
Nós adultos precisamos confessar, e eu confessarei por todos nós: apesar de tudo que acreditamos saber, seja das ciências, seja da vida, é chato mas necessário admitir - sabemos muitíssimo pouco até sobre nós mesmos. De fato, tateamos nossa existência. Ora somos pessimistas, ora otimistas, ora desejamos, ora não desejamos mais. A condição humana parece ter nos feito assim, inconstantes, vacilantes.
E aí é que entra a questão da pedra, e me refiro à pedra mesmo.
Lembram-se daquela que vocês fizeram de companheira durante o ano?
Meditei a respeito dela.
Bom, daqui a cem anos - e não quero deprimi-los-, não estaremos mais aqui, seremos histórias esquecidas ou contadas, seremos alguns retratos do passado. E é estranho pensar que esta pedra que não vê, não escuta, não sente, não pensa, não ama, não deseja - esta pedra tão sem graça potencialmente pode existir, do jeitinho que ela é, infinitamente mais tempo do que nós. E se ela tivesse ao menos a alegria de possuir senso de humor, agora poderia nos fitar irônica. Mas a pedra existe, sobrevive aos homens e não sabe.
A pedra nos coloca em xeque. Coloca em xeque o orgulho humano, a ciência humana e todas as nossas certezas. Esta pedra esteve na sala de vocês, ganhou olhos, nome e posição de honra. E lamento informar-lhes: ela permaneceu indiferente. 
Como matéria, embora ela não possua o refinamento dos tecidos, a função e sensibilidade dos órgãos, dos sistemas e das glândulas - em sua condição de matéria, esta pedra é superior a todos nós. Se formos sinceros conosco, teremos de admitir esse inconveniente fato. Esta pedra é indiferente ao aquecimento global e à extinção de todos os seres, inclusive da humanidade.
No entanto, agora, sendo flagrantemente humilhados por uma mera pedra sem coração, como seguir a existência que conhecemos e nos resta?
É aqui que eu proponho a leitura de uma carta de quase dois milênios, endereçada a pessoas que tinham dúvidas semelhantes às nossas. Peço que a ouçam, não em seu sentido religioso, mas filosófico. Para ouvi-la, peço ao nosso amigo Biz que nos dê o prazer de ouvi-lo tocar.
Paulo de Tarso a escreveu mais ou menos assim.

E ainda que eu fale as línguas dos homens
E fale a língua dos anjos
Se eu não tiver amor
Serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

E ainda que receba o dom de profecia
E o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência
E possua uma fé tamanha, capaz de transportar os montes,
Se eu não tiver amor, eu nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens em proveito dos pobres
E entregue o meu corpo para ser queimado,
Se eu não tiver amor, eu nada serei.

O amor é paciente, é benigno, não arde em ciúme, não se ufana nem se ensoberbece.
O amor não é inconveniente, não procura os próprios interesses, não se exaspera nem se ressente do mal.

Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O Amor não tem fim,
Mas havendo profecias, desaparecerão.
Havendo línguas, cessarão.
Havendo ciência, passará.

Porque agora vemos em parte e em parte profetizamos.
Mas quando vier o que é perfeito, o que é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia e pensava como menino.
Mas agora, homem feito, deixei de lado as coisas de menino.

Por que vemos como em um espelho: em enigmas.
Mas então veremos face a face.
Porque conheço em parte,
Mas então conhecerei como também sou conhecido.

Por ora, no entanto, restam-nos a Fé, a Esperança e o Amor
E dentre esses, o mais excelente, o mais sublime, é o Amor.

Meus queridos, não sejamos como a pedra sem vida.
Onde estivermos, procuremos amar.
O que fizermos, procuremos amar.
Procuremos amar os que estiverem à nossa volta.
Tudo o mais nos será acrescentado.

Meu muito obrigado a todos vocês!!

1 de nov de 2017

ENEM: TEMA CHUVAS E ENCHENTES

Profecia dos novos tempos

"É pau, é pedra, é o fim do caminho": com esses versos imortalizados na voz de Elis Regina, retratou-se de forma poética um cenário dramático e recorrente em cidades brasileiras de médio e grande porte, devido às fortes chuvas sazonais. Isso porque, de dezembro até março - mês no qual as "águas fecham o verão", tempestades tropicais provocam alagamentos de ruas e avenidas, deslizamentos de encostas e um verdadeiro caos, envolvendo congestionamentos intermináveis, quedas de árvores, acidentes, pessoas desabrigadas e até mortes. Assim, torna-se mais do que pertinente fazer-se a seguinte pergunta: diante de uma tragédia anunciada, não existe modo de evitá-la?

Felizmente, há respostas já conhecidas por geógrafos, engenheiros, urbanistas e ambientalistas. Todos eles são unânimes, por exemplo, em destacar a importância de que o Ministério das Cidades estabeleça regras padronizadas para a elaboração de um Plano Diretor que atenda cada cidade. Nele estariam previstas áreas de preservação permanente, que permitem a absorção natural das águas das chuvas pelo solo. Também não seria ignorado o combate tanto à criação de redes clandestinas de esgoto como à ocupação desordenada de espaços urbanos, responsável pela impermeabilização de muitas áreas das cidades, o que obriga metrópoles como São Paulo a valer-se da construção dos chamados piscinões, como método paliativo para evitar enchentes.

Nesse sentido, outro aspecto a ser considerado diz respeito à destinação adequada de entulhos e lixo, que frequentemente são responsáveis pelo assoreamento de rios e outros corpos hídricos, assim como a obstrução de bueiros e pontos de vazão das águas das chuvas. Além dessas, mais uma solução conhecida e já aplicada em cidades como Tokyo e Hong Kong trata-se da regulamentação de normas de construção modernizadas que envolvam o aproveitamento das águas captadas em terraços de grandes edifícios para serem recolhidas em cisternas para uso posterior nesses mesmos empreendimentos.

Desse modo, embora o crescimento desorganizado da maior parte das cidades brasileiras tenha deixado uma terrível herança, certamente com a atuação das Secretarias de Planejamento, da Defesa Civil e com a vontade política de prefeitos e governadores, será possível, sim, mudar para melhor a realidade de grandes cidades atualmente vítimas das chuvas. Na verdade, nunca foi segredo que, com investimentos em infraestrutura urbana e campanhas de conscientização acerca do descarte do lixo, em vez de sentir - após os estragos da chuva - "a promessa de vida no coração" - cantada por Elis -, muitos cidadãos deixarão de sofrer antecipadamente com a eterna e irônica profecia das tragédias anuais de verão.  

24 de abr de 2017

13 REASONS WHY - ARTIGO DE OPINIÃO

Quem se interessa pelos polêmicos temas suscitados pela série 13 Reasons Why, indico este excelente artigo:

Clique no link: 13 Reasons Why: Reflexões e Realidade

Temas

Bullying;
Estupro;
Suicídio.

2 de abr de 2017

EXPRESSÕES DISSERTATIVAS

Expressões que auxiliam a apresentar ideias presentes no senso comum:

a) O senso comum defende que...
b) No que diz respeito a __________, costuma prevalecer a ideia geral de que...
c) Muitos são categóricos ao afirmar que__________, enquanto outros...
d) Frequentemente, há quem acredite que...
e) Costumeiramente, ouvem-se pessoas afirmarem que...
f) Não é raro ouvir declarações enfáticas de que...
g) Quando se trata de _________, não são raras as afirmações de que...
h) Quando o assunto é____________, parece haver certa unanimidade de que...
i) Ao analisar-se o tema da/o __________, de forma superficial e apaixonada, é
comum chegar-se à conclusão de que...
j) O imaginário popular costuma categorizar __________ como...
k) Reza o senso comum que...

Expressões que auxiliam a contrapor ou a relativizar o senso comum:

UTILIZA-SE UMA DAS EXPRESSÕES ANTERIORES E ACRESCENTA-SE A ELA
UMA ENTRE AS SEGUINTES EXPRESSÕES

a)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)_. No entanto, uma análise mais cuidadosa do
assunto leva forçosamente a concluir que...
b)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)__, mas nem sempre o que se aceita como verdade de fato o é. Isso porque...
c)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)__. Deve-se ter em mente, contudo, que...
d)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)__. Essa forma de pensar é compreensível,
entretanto seria leviano desconsiderar que...
e)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)___. É, no entanto, prudente perguntarmo-nos sobre quantas vezes uma ideia equivocada ou mentirosa, repetida descuidadamente, ganhou força de verdade. O fato é que...
f)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)__. As verdades mais profundas, contudo, nem
sempre são aquelas aceitas como unânimes. Um bom exemplo...
g)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)__. Ao se lançar um olhar mais atento à questão, entretanto, chega-se a uma inusitada conclusão, pois, em verdade,...
h)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)__. Render-se, contudo, ao senso comum, embora seja cômodo, não é prudente, haja vista que, na verdade,...
i)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)___. Porém, como já afirmou _______________, …
j)___(a, b, c, d, e, f, g, h, i ou j)__. A observação dos fatos, todavia, contradiz
essa tese, pois...

Expressões para apresentar a relevância de se conhecer determinado tema:

a) A relevância de se conhecer mais aprofundadamente ___________ reside no
fato de que...
b) Diante de ________________, torna-se imprescindível que se conheça melhor __________________, com vistas a...
c) É essencial conhecer de maneira mais profunda _______________, uma vez que...
d) É indiscutível que, se não houver um conhecimento mais profundo sobre______, dificilmente...
e) (…). É, portanto, de suma importância compreender que...
f) (…). Sendo assim, para evitar equívocos e generalizações, se faz necessário...
g) (…). Desse modo, não se pode ignorar a importância de investigar-se o tema com mais profundidade...
h) (…). Logo, é no mínimo razoável estudar com mais atenção o assunto, já que...

Expressões para apresentação de argumentos:

a) Essa tese justifica-se justamente pelo fato de que...
b) Um exemplo clássico da veracidade dessa tese pode ser observado a partir
de...
c) É possível constatar isso quando...
d) Não há dúvidas de que isso seja possível, pois...
e) Comprova-se com certa facilidade esse fato quando...
f) Constatamos essa realidade a partir de alguns exemplos como...
g) Se for levado em conta ______________, fica evidente que...
h) Um argumento que claramente sustenta essa tese é...

Expressões para apresentação de contra-argumentos:

a) Há quem, no entanto, contra-argumente que...
b) Nem todos são unânimes ao considerar essa tese e argumentos, pois alegam que...
c) Muitos, entretanto, divergem desse ponto de vista por considerarem que...
d) Existe, por outro lado, quem defenda que...
e) Não se pode, contudo, ignorar a alegação de que...
f) Seria, todavia, leviano desconsiderar que...
g) Não seria justo, entretanto, refutar completamente alguns argumentos, como...
h) Em contrapartida, porém, é prudente considerar que...

Expressões para desconstrução de contra-argumentos:

a) Apesar da força dos contra-argumentos, eles podem ser neutralizados se for
considerado que...
b) Embora os contra-argumentos inegavelmente tenham seu valor, existem soluções como...
c) Mesmo que haja discordâncias e polêmica em torno do assunto, é possível considerar que...
d) Sendo assim, primeiramente é necessário _____________, para então...
e) Desse modo, inicialmente o que deve ser feito refere-se a ______________. Então,...

f) Primeiramente, portanto,...

23 de mar de 2017

MODELO DE CARTA ABERTA: PÓS-VERDADE

MODELO DE CARTA ABERTA – PÓS-VERDADE

Carta Aberta ao Facebook

            Prezado presidente do Facebook no Brasil,
            Diante de reiteradas ocorrências relacionadas à propagação de informações caluniosas e difamatórias por meio do Facebook, de modo a envolver pessoas, empresas e instituições, gostaria de chamar a atenção para as questões éticas que, certamente, dizem respeito à atuação dessa empresa no país.
            Como é de conhecimento geral, são raríssimas as restrições dessa rede social acerca da política de compartilhamento de conteúdo, de tal forma que informações de fontes duvidosas rapidamente propiciam situações que vão desde o cyberbullying, passando por pessoas que são agredidas injustamente, até o boicote a empresas cujos negócios são amplamente prejudicados. Não fosse o bastante, algo que contribui para agravar ainda mais a condição do alvo dessas calúnias é o fenômeno que se popularizou com o nome de pós-verdade, ou seja, o caso de uma falácia que, mesmo desmentida, ganha força de verdade ou, no mínimo, coloca em dúvida fatos verídicos.
            Sendo assim, considero que não basta o Facebook declarar-se submisso às leis brasileiras e, em especial, ao Marco Civil da Internet. Acima de tudo, é necessário haver um esforço maior dessa empresa no que tange a oferecer um serviço de maior qualidade a seus usuários. Nesse sentido, é forçoso observar ser viável a adoção de medidas simples como a apresentação sistemática de alertas sobre a responsabilidade do usuário ao postar conteúdos, bem como a apresentação de informações sobre os mecanismos legais que viabilizem denúncias ao ministério público e às autoridades policiais. Outra ação relevante seria advertir que o Facebook, sempre que solicitado, contribui com as autoridades, de modo a não garantir o anonimato a nenhum de seus membros.
Contando com sua sincera colaboração,
Usuário do Facebook

Londrina, 23 de março de 2017.

             

16 de mar de 2017

PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS

Recomendação de leitura a feministas e não feministas, a filhas, filhos, mães e pais.

Acesse o Artigo-Resenha: PARA EDUCAR CRIANÇAS FEMINISTAS.






14 de mar de 2017

MODELO ENEM - APROPRIAÇÃO CULTURAL

Identidade brasileira: pura diversidade

"Somente a Antropofagia nos une" - por meio dessa célebre frase, o poeta modernista Oswald de Andrade defende a ideia de que a identidade brasileira resulta da mistura de elementos culturais de matrizes indígenas, africanas e europeias. Em 1967 a mesma bandeira foi levantada pelo Tropicalismo de Gil, Caetano e outros artistas. Contudo, apesar de o Brasil ter testemunhado movimentos de vanguarda tão relevantes no campo das artes e da música, ainda há quem utilize o conceito de apropriação cultural para fazer acusações contra pessoas e artistas.

Por outro lado, não se pode negar a existência desse fenômeno, assim como também é forçoso observar que, não existindo raça pura - conforme comprova o projeto Genoma -, não há lugar para o conceito de pureza cultural. Mesmo um estudo superficial de História demonstra que a chamada cultura hegemônica é fruto de inúmeras apropriações culturais ao longo do tempo. Assim, gregos, hebreus, celtas, polinésios, indígenas, enfim, os mais diferentes povos deixaram suas marcas para posteridade devido a esse processo.

Outro aspecto relevante no caso específico do Brasil é que o intenso processo de miscigenação ocorrido no país gerou uma enorme dificuldade para se declarar o pertencimento a uma etnia ou grupo no próprio Senso do IBGE. Assim, alguns se autodefinem como negros, indígenas, pardos e amarelos, ainda que não sejam percebidos socialmente dessa forma. Por esse motivo, torna-se praticamente impossível julgar quem quer que seja de fazer apropriação cultural. Isso para não citar questões como sociedade de consumo, indústria cultural e cultura de massa.

Portanto, mesmo que pesem as críticas e a relevância da discussão, ainda é importante considerar que o Brasil, além de um país multicultural e miscigenado, possui uma constituição que preza pelas liberdades de pensamento, opinião, crença e expressão. Assim sendo, diante de uma questão como essa, é essencial que as escolas e a mídia divulguem ao máximo as diferentes expressões culturais do país, bem como os valores constitucionais de respeito e tolerância. Somente assim, a antropofagia contribuirá para unir, antes que a ideia de pureza demonstre seu poder desagregador.



QUIZ: POR QUE OU POR QUÊ?

Havendo dificuldade em visualizar o quiz, clique no link abaixo: